We told you so...
CSS confirms Jungles’s tip and becomes a global hit
By Thaís Mendes
Quem leu a Jungle de dezembro de 2005, em que publicamos “Brasil from A to Z” (uma lista de gente que daria o que falar em 2006) percebeu que a letra “C” estava dedicada para uma então desconhecida banda independente de São Paulo, na época só chamando atenção pelo nome bastante incomum. Um ano depois, o sexteto Cansei de Ser Sexy fez mais do que confirmar a aposta: a turma comandada pela carismática e hiperativa vocalista Lovefoxxx terminou o ano como uma sensação mundial, com direito a citações para lá de entusiasmadas na mídia – a revista de música inglesa “Uncut”, por exemplo, colocou o álbum “CSS” entre os 20 melhores de 2006, enquanto a “NME” elegeu Lovefoxxx uma das 10 personalidades mais “cool” da temporada. Isso sem falar que o CSS foi ainda indicado para quatro prêmios no PLUG Awards, o Oscar da música independente Americana. Nada mal, não?
London Clapping
A hot Scala Gig attests the band’s popularity in the UK
Por Ignácio Bandini
A passagem mais recente do CSS por Londres foi saudada à altura por uma legião de fãs que lotou o Scala numa fria noite de terça-feira de novembro. Por mais que alguns marmanjos tenham usado como desculpa o fato de o sexteto paulistano ser de maioria absoluta feminina, a visão de uma platéia que saltou praticamente sem parar durante os 65 minutos de show foi um sinal de o charme da banda também é sonoro.Inspirada, a vocalista Lovefoxx não demorou 30 segundos para levar a cabo sua primeira sessão de crowd surfing. Imaginem o desespero dos seguranças do Scala quando a moça pulou no meio da platéia, no auge de sua hiperativa apresentação. O urro coletivo que surgiu nos primeiros acordes de “Let’s make love and listen to death from above” foi tão assustador quanto surpreendente.O mais interessante foi ver o CSS com os pés no chão numa semana em que o álbum de estréia da banda apareceu à frente de medalhões como Beck e Primal Scream na lista de melhores álbuns da “Uncut”. A baixista Ira, por exemplo, conversava calmamente com alguns fãs no foyer do Scala, e ainda parecia surpresa com os pedidos de autógrafo.
Bollywood Goes to Brasil
Por Erika Tambke
Esqueça Hollywood. A maior indústria de cinema do mundo está bem distante dali, na Índia, e tem o jocoso nome de Bollywood (Bombai + Hollywood). Milhares de indianos dentro e fora do país formam a legião de fãs dos filmes geralmente água-com-açúcar, cheios de romance e temas indianos. Quer dizer, até agora.
“Dhoom 2” é um thriller de aventura em que uma dupla de policiais percorrem o mundo atrás do bandidão internacional que roubou a coroa real, chegando até as areias de Ipanema, com direito a algumas das estrelas de Bollywood usando biquíni. As cenas “picantes” foram rodadas em outubro no Rio de Janeiro e causaram furor na imprensa indiana e a ira dos hindus mais conservadores. De fato, porém, os polêmicos biquinis nada têm a ver com os modelitos das praias cariocas — de tão grandes.
Dhoom 2 é o primeiro filme do tipo rodado no Brasil, mas a firma AIC, de São Paulo, já até abriu um site pra atrair mais produções: www.bollywoodbrazil.com.
VISUAL DRUMMING
Legendário Naná Vasconcelos lança coletânea de composições especiais para trilhas sonoras
By Luiz M. Moffa
O novo álbum do percussionista Naná Vasconcelos reúne composições para filmes, documentários, peças teatrais e espetáculos de dança. “Trilhas“ é um complexo mosaico composto por percussão, voz e arranjos orquestrais que se encontram para criar uma verdadeira paisagem sonora. A Jungle bateu um papo com esse mestre dos tambores, que logo logo deverá estar por estes lados para mostrar o novo trabalho.
Origens
“Eu sempre compus para filmes e espetáculos. Com o tempo, foi crescendo o desejo de ver as pessoas escutando toda essa obra. Também ficava imaginando como o público reagiria ao som, sem as imagens”.
Trilhas percussivas
“As faixas do álbum têm um enorme potencial visual. Cada trilha tem uma proposta diferente: drama, ficção, documentário, dança... A coisa em comum é que gosto de trabalhar diretamente com o cineasta ou o coreógrafo. Assim, conversamos e podemos encontrar os momentos de silêncio, de pausa. E o momento do som também, claro”.
Cinema, teatro ou dança?
“Prefiro desafios. Sair do cotidiano, fazer algo diferente, eu quero sempre mais! O meio não importa. O legal é trabalhar junto ao responsável pela obra”.
Naná na Inglaterra
“Estou finalizando a turnê de ‘Chegada’, meu álbum anterior. As novas apresentações terão faixas do novo CD. E a Inglaterra está nos planos, sim! Devo fazer uma turnê na temporada primavera/verão da Europa”.
TICIANO PALUDO
BORN TO MIX
Por Thais Mendes
Está para nascer um DJ brasileiro mais prolífico do que o gaúcho Ticiano Paludo. Além de trabalhar com dezenas de artistas independentes, produzir musica e criar trilha sonoras para teatro, cinema e TV, ainda arrumou um tempinho para vencer, no final de outubro, o concurso britânico DMC Born to Dance World Remix Competition, um dos mais respeitados do mundo.
O DJ ganhou com Let´s Get Down (Let´s Get Up Mix) de Hernandez Vs. DJ Tyo, produzido para o evento — uma competicao virtual organizada pelo selo independente Born to Dance. Como prêmio, ganhou um contrato com o selo.
“Sempre dou o máximo pra ser o primeiro no que faço,” conta. Foi o primeiro prêmio internacional do gaucho, que já tinha no currículo vitórias em concursos nacionais como Lucky Strike Lab, Isnard Azevedo e Remixing Harry.
Fã de Moby e Mylo, Paludo acredita que o sucesso se deve também a sua versatilidade musical em não se prender à música eletrônica: “No geral, sou bem eclético. Essa mistura toda acaba gerando produções interessantes. Transito tranqüilamente entre reggae, pop, mpb e metal, por exemplo”, completa.
Para ele, um dos pontos altos da sua carreira foi trabalhar com ídolos como o produtor Enrico De Paoli e a cantora de electro Madame Mim. Agora, ele se prepara para o lançamento internacional do album independente “Lounge TP”, já à venda na maior loja virtual britânica de música eletrônica, Juno Records. Alem de um show com o português Vitamine no começo de 2007. “Eu vivo e respiro música o tempo inteiro”, diz o DJ.
GLAUBER ROCHA
Guy Bingley teaches Brasilian film studies at the University of Edimburgh and is a resident VJ for Trouble (www.getintotrouble.com)
Em dezembro passado, no inverno de Edimburgo, eu descobri um filme com energia suficiente para compensar o meu aquecimento central quebrado. Era “Deus e o Diabo na Terra do Sol“, e representou para mim algo como um Santo Graal cinematográfico.
Fazia alguns meses que eu vinha lendo rápidas menções sobre o movimento brasileiro Cinema Novo, produção cinematográfica intelectualizada e socialmente consciente dos anos 60 – um irmão perdido da nouvelle vague francesa, da política revolucionária de Ernesto “Che” Guevara e dos movimentos estudantis que borbulhavam mundo afora. Finalmente eu o havia encontrado.
Em “Deus e o Diabo...”, Gláuber Rocha, o diretor, explorou as raízes do nordeste brasileiro através de cortes rápidos e bruscos, explosões de violência, baladas clássicas e takes longos, cheios de poesia, beleza e agressividade. Surpreendeu-me tanto a audácia técnica quanto a estranheza das imagens: era a primeira vez que eu via a figura de um cangaceiro, e a primeira vez que via o vasto e estéril sertão.
Rocha morreu em 1981, mas hoje em dia diretores importantes como Walter Salles ainda se referem a ele como o grande patriarca do cinema brasileiro – mesmo que poucas pessoas tenham acesso a seus filmes. Seu grito de guerra, dizendo que “o comportamento normal de um homem faminto é a violência” parece ecoar diretamente na essência de sucesso brasileiros recentes como “Cidade de Deus”.
De muitas maneiras, sua seu trabalho remetem ao paradoxo do Brasil no século 21. O público brasileiro ainda preferia Steven Spielberg e aos seus filmes. Não importa – Glauber é meu brasileiro favorito.
Mais um que se VAI...
Bastou uma boa atuação pela seleção brasileira (a vitória de 2 a 0 sobre o País de Gales, em Londres, em setembro) para o lateral-esquerdo Marcelo, do Fluminense, ser contratado pelo todo-poderoso Real Madrid. Por seis milhões de euros, o lateral tornou-se o sexto brasileiro na folha de pagamento do clube espanhol (lá já estão Ronaldo, Robinho, Cicinho e Roberto Carlos sem falar em Júlio Baptista, emprestado ao Arsenal). De apenas 18 anos, o jogador vai fazer sombra ao pentacampeão Roberto Carlos. E com contrato até 2012.
Tem inglês na área
Copacabana que se prepare: uma verdadeira invasão de britânicos está em curso. Segundo o Ministério do Turismo, o número cresceu 12 % em 2005: foram 169.500 visitantes. O Reino Unido é o 11º país que mais manda turistas para o Brasil e as praias cariocas são o destino principal, seguidas pelo business de São Paulo. A tendência é crescente e, por isso, até o final do ano 17 novas linhas aéreas vão ser abertas entre os dois países pela TAM, British Airways e (acredite) Varig. Mas não são só os ingleses que estão mais entusiasmados em visitar a terrinha. O Banco Central divulgou que 2006 deve bater o recorde de dólares que entraram no país através de turistas estrangeiros. Entre janeiro e dezembro foram 3,548 bilhões. Haja protetor solar!
Shakespeare e o morro
Os ensaios de uma companhia fincada no morro do Vidigal, no Rio de Janeiro, sobre uma obra-prima do teatro britânico são o tema da exposição “Nós & Shakespeare”, da fotógrafa brasileira Ellie Kurttz.
Desde 1995, a Nós do Morro — formada por jovens moradores de favelas — produziu, com o apoio da Royal Shakespeare Company, uma montagem bem brasileira de Dois Cavalheiros de Verona. A peça foi apresentada este ano no festival da RSC. Ellie fotografou tudo — e uma seleção dos melhores momentos do trabalho pode ser vista na Galeria 32, da Embaixada do Brasil em Londres (32 Green Street, Mayfair), até 22 de dezembro. Mais informações: www.brazil.org.uk
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