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Procurando o Brasil
Por Néli Pereira
Ele queria ser o personagem Dash, d’Os Incríveis,
para poder animar um longa metragem por semana. Apesar de ainda
não ter conseguido tal proeza, César Coelho, animador
e um dos fundadores do Anima Mundi, já fez bastante pela
animação para ganhar título de super herói.
Há 15 anos, ajudou a fundar o Anima Mundi, principal
festival de animação do Brasil e um dos quatro
mais importantes do mundo. A primeira edição tinha
três filmes brasileiros inscritos, ocupava apenas duas
salas e contou com público de sete mil pessoas. Neste
ano foram mais de 150 mil expectadores e o número de produções
brasileiras ultrapassou de 300. “O crescimento foi vertiginoso,
primeiro em quantidade para depois amadurecer e alcançar
um excelente grau de qualidade”, confirma César.
A maturidade pode ser percebida também fora do país,
pela crescente participação brasileira em festivais
internacionais. Para Nag Vladermersky, do London International
Animation Festival (LIAF), é uma animação
brasileira que deve ser o filme mais comentado desta edição
do evento. Trata-se de Tyger, que já ganhou vários
prêmios ao redor do mundo. “Quando vimos o filme
e a qualidade da história e do design gráfico,
soubemos de cara que tínhamos que exibi-lo no festival”.
Para César, outro sinal de amadurecimento é a
diversidade de técnicas e temas apresentados pelos animadores
e a criação de uma identidade para a animação
brasileira. “Temos recebido cada vez mais filmes de fora
do eixo Rio/São Paulo. Isso é fundamental para
a identificação do público com o aquilo
que vê. Alguns paises como a França e Reino Unido
tomam medidas de proteção à produção
de conteúdo local como uma resposta ao anseio do público”,
comenta. Assim como produzir uma animação dá um
trabalho danado, construir um mercado e uma identidade para animação
no país também dá. Mas em 24 quadros por
segundo a gente tá chegando lá.
ANIMAÇÕES
BRASILEIRAS EM LONDRES - AGOSTO
Mr Lucky - Hot Zone and Mr
Lucky - Navio Pirata, by Rodrigo Santos
Rose Dollz, by Rolnei Bueno
The Kid, by Fernando Pinheipo
Portobello Film Festival
15th August, 6-11PM
Inn On The Green
www.
portobellofilmfestival.com
Tyger, by Guilherme Marcondes
SX80bh, by Ricardo Mehedff
24th August
Digital and Abstract Panoramas
London International Animation Festival
www.liaf.org.uk
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CARNAVAL EM PORTOBELLO ROAD
É aquela época do ano de novo. Apesar do clima londrino não ter sido muito gentil com a gente, os eventos que normalmente celebram nossos (poucos) dias de sol continuam rolando, faça chuva ou faça sol. Então, se você pensa que agosto vai ser mais bacana com a nossa pele pálida, se prepare para uma das festas mais esperadas do mês: o carnaval inglês que transforma o verniz de Notting Hill numa festa popular.
Uma vez que você está lá fica difícil entender o porquê decidiu ir de novo, ou de vez. Uma olhadela rápida pelos banheiros lotados ou pela galera suada ao redor deveria ser suficiente, sem mencionar a mistura de vários estilos musicais no último volume. A questão é que apesar de tudo, você resolveu ir, seja melhor galinha defumada que você vai comer no ano todo, pra curtir boa música caribenha, pra se sentir numa rave ao céu aberto em um dos vários sound systems, ou mesmo pra pensar como seria a festa no modelo brasileiro. Ou como a gente, morrer de saudades do carnaval da terrinha.
Notting Hill Carnival 2007
26 -27 August
12-7PM
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O Adeus de Colón
Por Guy Bingley
Ele é chamado de “El Malo”. Alguns de seus shows acabaram em pancadaria. Mas era 1960 em Nova York e se você tivesse 1.70m de altura, fosse latino e nascido no Bronx, teria que brigar para conquistar seu espaço. E sua arma era seu trombone. Ele cantou o preconceito, a marginalidade e a pobreza - apenas mais um dia da cidade.
Willie Colón redefiniu a salsa e ganhou 15 discos de ouro e cinco de platina. Ele inundou a pista de dança com mambo, pachanga, cha-cha-chá e guaracha. Ele elaborou batidas intrincadas e as misturou com ritmos de Cuba, Porto Rico e Brasil. A revista Village Voice o classificou como um “produtor talentoso, da categoria de Quincy Jones e Stevie Wonder”.
Como um Bad Boy autêntico, a gente pode dizer que ele fez o bem. Através da sua popularidade – foram mais de 30 milhões de álbuns vendidos até o momento- ele se tornou um líder comunitário. Assim como Gil e Caetano no Brasil, ele reuniu este poder para promover progresso político. Ele discursou sobre a independência de Porto Rico e a unificação da América Latina.
Depois de concorrer pela presidência do bairro do Bronx em 2001, Colón está pendurando o trombone para seguir carreira política no partido Republicano. E essa é certamente uma tendência. Há alguns meses, Gilberto Gil falou da música meramente como uma “área de atuação alternativa”. Uma geração inteira de ídolos musicais está seguindo novas carreiras na área de responsabilidade social.
Mas por uma última noite no suposto verão londrino você pode colocar seus sapatos de dançar e embarcar em uma viagem de volta ao tempo. “El Malo” está com as malas prontas e virá para a Roundhouse nos lembrar de como ele permaneceu na ativa por mais de 40 anos.
Para celebrar, a lendária Fania Records, gravadora de Colón desde que ele tinha apenas 15 anos de idade, abriu o seu arquivo de fotos para a Jungle. Encha seus olhos, aguce sua audição, lembre de como era a cidade e fique atento para as cidades do futuro.
WILLIE COLÓN
10 Aug – Roundhouse
ROUNDHOUSE.ORG.UK
Visite nossa home page para concorrer a ingressos para ver Willie Colón na Roundhouse e ganhar o disco The Player.
Também visite nossa home para conferir as fotos raras do arquivo da Fania.
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Duas vezes três
Por Guy Bingley
Arte ao cubo nos festivais de Edimburgo
Alguma coisa ronda o número dois. A capital da Escócia é a segunda maior cidade do país. Duas vezes ao ano, ela se transforma. A população dobra, as ruas ficam cheias e gente do mundo toda praticamente escala as paredes do castelo de Edinburgo para participar.
Isso acontece anualmente nas celebrações Hogmanay, no Ano Novo. E acontece novamente em agosto. Mas, a partir do dia 10, você vai ter três boas razões para visitar a segunda maior cidade da Escócia: o International Festival, o Fringe e o International Film Festival.
O Festival de Edimburgo foi um baby boom do pós-guerra. A idéia, em 1947, era mostrar o “florescimento do espírito humano”, depois de anos de conflitos globais. Sessenta anos depois, o evento desabrochou para se tornar um dos festivais de arte mais importantes do mundo. Nesse jardim fértil nascem alguns dos principais talentos mundiais e ao redor dele nasceu também o Fringe.
Apesar de não ser tão conhecido como o de Londres, o Edinburgh International Film Festival é o mais antigo do mundo. Originalmente um festival de documentário, o EIFF se desenvolveu e ampliou sua abordagem. Neste ano a programação apresenta dois filmes brasileiros: Limite (1931), de Mario Peixoto, um dos clássicos do cinema nacional e o novo filme de Chico Teixeira, Casa de Alice (2007).
Enquanto você se envolve com cultura por todos os lados em Edimburgo, por que não experimentar a cozinha escocesa? Se dois ou três não são suficientes, você pode quadruplicar o tamanho da sua cintura com uma especialidade local – a barra frita de chocolate Mars!
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CARNAVAL DE KILT
Por Alice Alves
Já se foi o tempo quando os compositores brasileiros tinham receio de misturar os ritmos tradicionais com estrangeiros. A crítica do “bebop no samba” e da mistura de “chiclete com banana” parece ter se perdido num tempo anterior à explosão do mangue beat. Hoje em dia tem músico por aí querendo até colocar gaita de fole em baião. Essa é apenas uma das idéias que surgiram na primeira turnê européia da banda pernambucana Eta Carinae. “Com a riqueza de sons que há no Brasil ainda dá pra misturar muita coisa”, explica o baterista Fabio Xucurús.
A gente conversou com a banda por telefone, eles ainda estavam em Vigo, na Galícia. Xucurús, com um sotaque pernambucano daqueles de deixar qualquer um com saudade do Brasil parece estar num parque de diversões. “Tem muita coisa rolando aqui, ontem vimos um show de uma banda escocesa de world music, a gente tá tendo várias idéias”.
Basta ouvir algumas faixas do primeiro disco da banda, Mirando a Estrela, para perceber que mistura de elementos, principalmente os eletrônicos com os orgânicos é a pegada deles. Abertos a todas as influências, Eta Carinae entrou no ciclo de Pernambuco para o mundo e vice-versa. Um ciclo criativamente vicioso. JD by Néli Pereira.
ETA CARINAE
28th Agosto
Guanabara
£5
GUANABARA.CO.UK
MYSPACE.COM/BANDAETACARINAE
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OUR MUSICALS
By Vitor Fraga
They may be plush and tacky, but never dull. Brasil has produced a number of films about their most beloved musicians in the past few years, Two Sons of Francisco (about the lives of Zezé de Camargo and Luciano, who are performing this month at Shepherds Bush Empire) being just one of them. This is hardly surprising, as Brasilians tend to revere their own music and those who represent it.
Two Sons of Francisco, which was launched in 2005, is a romantic account of the lives of country music duo. It’s composed of biting colours, dramatic acting, a dynamic script and – of course – powerful music, having won the hearts of millions of Brasilians and cashed in the greatest box office profit in Brasil during the same year (over £6 million).
The life of Brasilian rock star Cazuza, who died of AIDS in 1990, is portrayed in a less glittering tone in Cazuza, Time Doesn’t Stop (although no less dramatic and sentimental than Two Sons). The film, which was made in 2004, will please those looking for easy entertainment coupled with some insight into the history of Brasilian rock behind the curtains.
Those looking for pure entertainment without any insight into reality whatsoever should resort to Cinderela Baiana, a fictional take on the career of Brasilian musician Carla Perez, who won Brasilian hearts with her buttocks rather than her singing. The 1998 production has become a highly camp cult film, and has often been dubbed ‘the worst Brasilian film of all times’. Don’t miss it.
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DIRETO AO PONTO
por Pedro Shumann
Ele começou a entrevista dizendo que queria montar um hotel com todos os xampus e sabonetes que ele vem colecionando dos hotéis onde se hospeda nas turnês com o SFA. As idéias conceituais de Gruff Rhys vão além da música, apesar dele mesmo dizer que música é estritamente o que faz. Será?
Algumas influências dos seus discos, mesmo do seu trabalho solo, parecem brasileiras. Tem uma música do Super Furry Animals chamada ‘Oi Frango’, por exemplo...
A gente mixou aquele disco em 2004 no Rio e trabalhamos com o produtor Mario Caldato. Nessa época fomos para o Rio trabalhar com ele.
SFA está lançando um disco novo neste mês, “Hey Venus”. Quem produziu o álbum dessa vez?
Nós trabalhamos com um cara chamado Dave Newfelt. A gente gravou com ele e mixou com o Chris Shaw. Muita coisa foi a gente mesmo que fez.
Percebi uma atração pelo funk carioca em bastante coisa que você anda fazendo ultimamente. Que tipo de bandas brasileiras você procura?
A gente acabou conhecendo a música independente do Brasil, algumas coisas da bossa nova, funk carioca – a música brasileira tem tantos atributos diferentes que fica difícil generalizar. O que é bacana é que sempre traz surpresas. Pra cada clássico da bossa nova você tem um outsider como Tom Zé e Tony da Gatorra. Eu gosto de como bandas tipo o CSS está fazendo música que não é tipicamente brasileira. Eles estão quebrando idéias pré-concebidas do que deve ser a música brasileira. É um país enorme e sempre tem coisas diferentes rolando por lá.
E o DJ Marlboro? Quando foi a primeira vez que você viu um cara como ele tocando?
Acho que foi em 2003 e foi incrível porque a gente nunca tinha escutado nada parecido com aquilo antes. A gente ficou tipo “o que é que tá rolando?”. A gente dançou a noite toda.
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EM AÇÃO
By Pedro Shumann
Misturando beats africanos, fubk carioca e hip hop com letras engajadas, M.I.A está de volta e mais colorida do que nunca no seu segundo álbum, Kala
“London, quiet down I need to make a sound. Brasil, quiet down I need to make a sound!”. Quem bebeu umas por Shoreditch há cerca de dois anos, provavelmente escutou a letra cima explodindo dos sound systems de bares, pubs e clubes. Dentro deles, a galera modernosa pulava e tentava rebolar ao som da batida forte do funk carioca e do tema do filme Rocky. Era M.I.A. com “Bucky Done Gone”, hit nas pistas mais descoladas, de Los Angeles a Tóquio.
Agora, depois de rodar o mundo (incluindo Rio e São Paulo) a londrina nascida no Sri Lanka e batizada de Maya Arulpragasam, volta a ação com Kala, seu segundo álbum. Além de pegar emprestado o ritmo das favelas brasileiras (por meio de uma amizade
colorida com o DJ americano Diplo, propagador do ritmo carioca e padrinho do Bonde do Rolê), M.I.A. costuma buscar inspiração em quase todos os cantos do mundo e estilos para costurar a colcha de retalhos que é sua música.
Apesar de ter entrado de carona na onda do Funk Carioca, M.I.A. soube trazer o ritmo ao mainstream de maneira única, sem soar caricata. Melhor ainda: escreveu letras instigantes, de protesto, em cima de batidas malucas e dançantes, bebendo também dos estilos ragga, dancehall e grime.
Em Kala, M.I.A. volta muito bem acompanhada. Entre os preodutores estão o DJ britânico Switch e o mago dos estúdios Timbaland (Missy Elliot e Nelly Furtado). A mistureba de influências continua evidente, como os primeiros singles, Boyz e Bird Flu atestam. Diplo continua na área, o que pode garantir mais pancadões pras pistas de dança. Único aviso: se olhar para o logo das Olimpíadas de 2012 te dá dor de
cabeça, cuidado ao entrar no mundo de M.I.A, um lugar onde as cores são
fluorescentes, as formas, pontiagudas. E a música? Uma porrada na cara. Pode bater que a gente gosta.
KALA
XL Recording
OUT 20 AUGUST
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MOVIMIENTOS
Por Sabrina Duran
Entre no MySpace dos colombianos do Zona Marginal que você, além de escutar hip-hop do bom, dá de cara com Che Guevara. E foi após o impacto de um show deles em Brixton em 2004 que nasceu o Movimientos: um grupo de amigos em Londres que quer distância da América Latina estereotipada, terra de salsa e merengue. O interesse deles é espalhar o conteúdo revolucionário da arte latina, que anda em excelente forma.
A mensagem é séria, mas transmitida com muita festa, mostra de cinema, shows e baladas mensais que já viraram referência no circuito da noite londrina, em lugares como Notting Hill Arts Club e Cargo. “Nós encorajamos artistas de vanguarda e quem usa a arte e a cultura para educação. Ao mesmo tempo gostamos de trabalhar com que ajuda a criar uma boa festa”, diz o argentino Agustín Bazzini, um dos principais membros do grupo.
Movimientos, como o próprio nome sugere, agita a cena cultural da América Latina em Londres e promove integração entre os artistas ingleses e latinos. Da boa fama latina, o Movimientos só cai em um estereótipo: o de que a gente sabe fazer uma boa festa.
MOVIMIENTOS
Salmon and Compass - Angel
Toda 1ª quinta-feira do mês
7PM -2AM
Notting Hill Arts Club
Última terça-feira do mês
6PM-2Am
MOVIMIENTOS.ORG.UK
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WILD EAST
Por Néli Pereira
O ícone glam Marc Bolan nasceu por ali, Tony Blair escolheu a região como residência na década de 80, Hitchcock começou sua carreira em um estúdio naquela área, outros como Sid Vicious e Pete Doherty também já passaram por lá. A diversidade dos ilustres que têm alguma relação com o bairro ajuda a revelar do que estamos falando. Arrisca um chute? Então bem vindo ao bairro de Hackney.
Formado em 1965, a região tem 19 distritos, entre eles alguns pontos descolados na cidade, como Shoreditch, Hoxton e London Fields. Adorado por artistas, tipos criativos e intelectuais, o bairro também carrega a má fama de ser um dos mais perigosos da cidade. Um domingo de passeio em Brick Lane e no Columbia Market te fariam pensar duas vezes sobre a violência na região, mas fama é fama.
Para a ilustradora e design de moda brasileira Vanessa da Silva, que mora em Hacnkey há mais de seis anos, “pra quem trabalha com criação, é e uma área que inspira muito pelo seu lado underground e a sensação de liberdade. Adoro andar por Dalston e ver toda a influência de diferentes culturas misturado com artistas, shops”. E foi para mostrar a beleza da região que ela criou a coleção Luxury Local, inspirada em Hackney.
Entre camisetas e cardigans, Vanessa se inspirou nos amigos e na liberdade no modo como os east enders se vestem. “Foi bem interessante prestar atenção no meu dia a dia e perceber que mesmo a lojinha turca da esquina podia trazer inspiração para meus
desenhos, celebrar meu cotidiano e ver a beleza disso”, comenta Vanessa. JD por Néli Pereira.
Vanessa da Silva
Luxury Local on sale at No-One Boutique
1 Kingsland Road, E1
020 7613 5314
no-one.co.uk
vanessadasilva.com
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Young Blood: Lucas Leiva
Por Fernando Duarte
No mundo do futebol do século 21, idade está se tornando tão importante quanto habilidade na hora de apostar em jogadores. Isso ajuda a explicar porque o Liverpool, umas das equipes mais tradicionais da Inglaterra, fez questão de assegurar logo o passe do meia Lucas Leiva, que completou 20 anos em janeiro. Embora seja bastante conhecido do público brasileiro por ter feito parte do Grêmio, Lucas apareceu foi convocado apenas duas vezes para a seleção brasileira principal, que ainda continua sendo a principal vitrine para os clubes do exterior.
No entanto, equipes como o Liverpool também contam cada vez mais com uma rede de observadores nos quatros do mundo e o futebol de Lucas, um dos grandes destaques do Grêmio na temporada de 2006, quando a equipe recém-promovida terminou num honroso terceiro lugar chamou a atenção. Se bem que dificilmente passaria despercebido o fato de Lucas em 2006 ter recebido a tradicional Bola de Ouro, prêmio oferecido pela Revista Placar ao melhor jogador em atividade no Brasil – por sinal, o gaúcho foi o mais jovem atleta a receber a taça já erguida por monstros como Zico, Falcão e Romário.
Antes mesmo de estrear pelo Liverpool, que pagou cerca de US$ 10 milhões por seu passe, o meia parece já ter conquistado o coração dos torcedores, pois recusou propostas do Everton e do Manchester United, os dois grandes rivais da equipe. Embora vá ter que se esforçar tanto no campo quanto na sala de aula, já que fala pouco o inglês, Lucas ao menos terá o apoio do outro jogador brasileiro no elenco, o lateral Fábio Aurélio.
“Estou estudando muito e não vejo a hora de jogar por um clube como o Liverpool. Vai ser uma emoção diferente”, conta o jogador. Curiosamente, ele estará apenas a uma hora de viagem de um ex-colega de Grêmio: o atacante Ânderson, contratado pelo Manchester United ao Porto. Foi dele o gol da vitória em 2005, que virou até um documentário, “A batalha dos Aflitos”. Outra curiosidade está na família de Lucas, que é sobrinho de Leivinha, jogador que disputou a Copa do Mundo 1974.
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